sexta-feira, 24 de abril de 2009

Orígenes - Atanásio - A Questão Ariana - Primeiro Concílio - Monasticismo

ORÍGENES DE ALEXANDRIA (c.185 – 254)

Um homem que conjuga a extensão e a força do saber, o entusiasmo, o fervor do homem, as qualidades religiosas do cristão, a alma de fogo do apóstolo e do mártir. Desde pequeno recebeu uma excelente educação, impressionava seu pai com as perguntas que fazia a respeito das Escrituras.

“Ele ensinou”, escreve Eusébio de Cesárea, “que o compor-tamento deve corresponder exatamente às palavras e foi sobre tudo por isso que, ajudado pela graça de Deus, induziu muitos a imitá-lo” (Hist. Eccl. 6, 3, 7).

O maior erudito da Igreja antiga -  nasceu de uma família cristã egípcia e teve como mestre Clemente de Alexandria. Assumiu, em 203, a direção da escola catequética em Alexandria - que havia sido fundada por um estóico chamado Panteno que se havia convertido à mensagem de Cristo - atraindo muitos jovens estudantes pelo seu carisma, conhecimento e virtudes pessoais. Depois de ter também freqüentado, desde 205, a escola de  Amônio  Sacas - fundador do neo-platonismo e mestre de Plotino-, apercebeu-se da necessidade do conhecimento apurado dos grandes filósofos.

Toda a sua vida foi percorrida por um profundo anseio pelo martírio. Tinha dezessete anos quando, no décimo ano do imperador Sétimo Severo, se desencadeou em Alexandria a perseguição contra os cristãos. Clemente, seu mestre, abandonou a cidade, e o pai de Orígenes, Leónidas, foi encarcerado. O seu filho bramava ardentemente pelo martírio, mas não pôde realizar este desejo.

Então escreveu ao pai, exortando-o a não desistir do testemunho supremo da fé. E quando Leónidas foi decapitado, o pequeno Orígenes sentiu que devia acolher o exemplo da sua vida.

Os bens de seu pai foram confiscados, sua mãe ficara viúva com sete filhos, uma cristã rica, veio em socorro, mas sofria influências gnósticas e Orígenes rejeitou a ajuda, a pureza da fé era mais preciosa. O bispo Demétrio confiou ao jovem Orígenes a escola catequética de Alexandria para instruir os candidatos ao batismo. Pertur-bado talvez pelo atrativo que exercia Orígenes fez o sacrifício de sua virilidade. Tornou-se eunuco.

 

Aprendeu filosofia platônica para discutir com pagãos e hereges. O curso cresceu tanto que foi desdobrado em 2, Héraclas ensinava os iniciantes e Orígenes os mais adiantados. Viajou à vários lugares, era chamado para consultas e ensinos. Conheceu um ancião gnóstico que conseguiu reconduzir a ortodoxia, este possuía uma fortuna considerável, colocou à disposição de Orígenes 7 estenógrafos que se revezavam para escrever o que falasse Orígenes. Outros tantos copistas e jovens com prática de caligrafia encarregavam-se de transcrever com clareza o que fora ditado e de difundir as obras. Apesar disto, Orígenes levava uma vida ascética simples que incluía dormir numa tábua nua.

 

No decurso de uma viagem à Grécia, no ano de 230, foi ordenado sacerdote na Palestina pelos bispos Alexandre de Jerusalém e Teoctisto de Cesaréia. para facilitar-lhe a pregação, o bispo de Alexandria, motivado por um sentimento humano  (Eusébio), talvez de inveja ou ciúme, da sua autoridade de monarca na Igreja Alexandrina, a qual Orígenes fazia sombra, foi brutal, o declarou destituído do sacerdócio e o baniu da cidade. Foi para Cesárea, ali abriu uma escola e prosseguiu seu ensino, pregação e obras. Em 250 houve nova perseguição, ele não fugiu os anos só tinham feito intensificar nele a sede do martírio. Suportou cadeias, torturas pelo ferro, etc. preso ao tronco, ameaçado com fogo, suportou tudo. Debilitado pelos sofrimentos suportados, faleceu alguns anos mais tarde. Ainda não tinha setenta anos, faleceu, segundos alguns dados em Cesaréia, na actual Palestina ou, mais provavelmente, segundo outras fontes, em Tiro.

Procura sempre em seus escritos não ser um orador, mas diminui para que o conteúdo da verdade seja expresso, considera-se apenas um intermediário favorecendo um encontro entre o Verbo de Deus e a Igreja.

São Jerónimo na sua Epístola 33 elenca os títulos de 320 livros e de 310 homilias de Orígenes. Infelizmente a maior parte desta obra perdeu-se, mas também o pouco que permaneceu faz dele o autor mais fecundo dos primeiros três séculos cristãos. O seu raio de interesses alarga-se da exegese ao dogma, à filosofia, à apologética, à ascética e à mística. É uma visão fundamental e global da vida cristã.

A sua obra é extensa, a parte que é criticada é a da juventude, a maior parte é consagrada à exegese. Usa o método alegórico (sistema que se baseia na suposição de que a Bíblia tem mais de um sentido.  Servindo-se da analogia do corpo, alma e espírito do homem, sustentavam que a Bíblia tinha um sentido literal e histórica que correspondia ao corpo humano, um sentido moral oculto que correspondia à alma, e um sentido espiritual subjacente e mais profundo que só os cristãos mais adiantados poderiam compreender. Este sistema de interpretação surgiu da técnica usada por Filo, o judeu alexandrino, que procurara aproximar o Judaísmo e a filosofia grega a fim de encontrar os sentidos ocultos da língua do AT, que por sua vez, seriam semelhantes à filosofia grega.) já usado por Clemente, nas suas interpretações. A palavra de Deus ocupa o centro do seu pensamento. Para ele a Escritura é o verdadeiro sacramento da presença de Deus no mundo. O seu objetivo é encontrar a Palavra encarnada, esta busca motiva e explica o método alegórico. Este deve  considerar a Escritura em seus laços com o mistério da Encarnação. O texto respira e fala de ponta a ponta, do Verbo Encarnado. Escreve a Gregório, o Taumaturgo: “Aplicando-te à leitura divina, procura cuidadosamente e com espírito de fé aquilo que a muitos escapa, o espírito das divinas Escrituras. Não te contentes com a vibração do entusiasmo e com a pesquisa. O mais importante para obter a inteligência das letras divinas é a oração.” A oração impregna suas homilias e comentários. De fato, na sua opinião, a compreensão das Escrituras exige, ainda mais do que o estudo, a intimidade com Cristo e a oração. Ele está convicto de que o caminho privilegiado para conhecer Deus seja o amor, e que não se verifica a autêntica scientia Christi sem se apaixonar por Ele. O  mais alto nível do conhecimento de Deus, segundo Orígenes, brota do amor.

Quanto a Igreja afirma que é o corpo de Cristo, tocar na Igreja é tocar na carne de Cristo. O seu alvo é ser um filho da igreja para levar o nome de Cristo. Que tudo que faz deseja que apenas lhe dê o direito de ser chamado cristão. É realista ao tratar da igreja, a chama de Raabe, Maria, a pecadora. A Igreja só é santa porque, incessantemente, lava seu pecado no sangue da cruz.

Algumas críticas fortes quanto a teologia de Orígenes: Apesar de crer que Cristo foi eternamente gerado pelo Pai, ele pensou de Cristo como subordinado ao Pai. Sustentou também a preexistência da alam, a restauração final de todos os espíritos, a morte de Cristo como um resgate pago à Satanás, e negou a ressurreição física.

Para Orígenes havia duas classes de cristãos: os simples, que aceitam a autoridade da mensagem bíblica e os ensinamentos da igreja sem os entender completamente e os que recebem o carisma da gnósis, a graça do conhecimento.
Orígenes entendia que tudo começa com a aceitação da autoridade; em seguida vem a compreensão racional da mensagem bíblica.

O sistema de Orígenes começa com a doutrina de Deus que possui seu Logos em quem reúne todas as coisas. A fórmula homoousios to patri (da mesma substância do Pai) aparece pela primeira vez. No entanto, Orígenes tem dois pontos conflitantes em sua doutrina: a doutrina do Salvador e o esquema de emanações.
No seu pensamento, podemos referir a tese da pré-existência da alma e a doutrina da "apocatastase", ou seja, da restauração universal (palingenesia), ambas posteriormente condenadas no Segundo Concílio de Constantinopla, realizado em 553, por serem formalmente contrárias ao núcleo irredutível do ensinamento bíblico -, embora estudiosos modernos e contemporâneos reconheçam inequivocamente que a primeira era mais «atribuída a Orígenes (por outros) do que propriamente defendida por ele»..

A parte mais difícil do pensamento de Orígenes é a sua cristologia. Para ele o Logos se une à alma de Jesus. Entendia que Jesus precisava oferecer seu corpo em sacrifício a Satanás como forma de pagamento para libertação das criaturas, no entanto, foi traído não conseguindo manter Jesus na prisão da morte, porque Jesus era puro e não se submetia ao domínio do poder de Satanás.


A segunda vinda de Cristo para Orígenes é o aparecimento espiritual de Cristo nas almas das pessoas piedosas. A punição do pecado é o inferno, um estado temporário destinado à purgação das almas. Essa espiritualização da escatologia foi um das razões pelas quais Orígenes foi considerado herege na igreja cristã, apesar de ter sido o maior teólogo de sua época.

A reação à doutrina do Logos deu origem ao Monarquismo Dinâmico e Modalista. A cristologia adopcionista dizia que Jesus é adotado pelo Logos ou Espírito, mas não é Deus. Nessa linha de pensamento destaca-se Paulo de Samosata que afirmava que o Logos e o Espírito eram qualidades divinas e não pessoas, dando ênfase na natureza humana de Cristo que fora elevado à esfera divina. O modalismo significa que Deus aparece em modos diferentes e de diversas maneiras.

Maria no cristianismo

O pensamento de Orígenes chama bastante atenção no que diz respeito a esse tema, pois alem de afirmar a virgindade perpétua de Maria, o que foi praticamente uma unanimidade nos primeiros séculos do cristianismo, realça os olhos com que naturalidade afirma também a imaculada conceição de  Maria:

“Desposada com José, mas não carnalmente unida. A Mãe deste foi Mãe imaculada, Mãe incorrupta, Mãe intacta. A Mãe deste, de qual este? A Mãe do Senhor, Unigênito de Deus, do Rei universal, do Salvador e Redentor de todos.” (Orígenes - homilia inter collectas ex variis locis).

Primado de Pedro

Conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, III,1 Orígenes conta como foi o martírio do apóstolo Pedro emRoma:

"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo".

E professa também o Primado de Pedro:

“E Pedro, sobre quem a Igreja de Cristo foi edificada, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão.(...)" (In Joan. T.5 n.3)

Batismo

Orígenes também atesta que a Igreja como sempre fez deve batizar as crianças: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5,9).

A Contra Celso e a exegese alegórica

Orígenes dedicou uma de suas obras contra Celso, considerado um dos primeiros críticos da doutrina do Cristianismo. Do que sabemos de Celso foi o próprio Orígenes quem nos deu a conhecer, inclusive a sua obra a Alêthês Lógos (O logos verdadeiro). A partir de Orígenes, sabemos ainda apenas que ele é do século II, e que escreveu a sua obra por volta de 178, e, portanto, sob o reinado do imperador Marco Aurélio (que se deu de 161 a 180). "A Alêthês Lógos, de Celso, coloca em questão vários assuntos da crença relacionados à criação e à unidade de Deus, à encarnação e ressurreição de Jesus, aos profetas, aos milagres, etc. Ela questiona também assuntos da vida religiosa, não só sobre a moral, mas também sobre a participação da Igreja e dos cristãos na vida política e social" (SPINELLI, M. Helenização e Recriação de Sentidos. Porto Alegre: Edipucrs, 2002, p.84). Na seqüência, Spinelli analisa esses vários pontos que a Contra Celso de Orígenes se propõe a combater. A obra exegética de Orígenes se concentra sobretudo no tratado que ele desenvolveu Sobre os princípios (Perì archôn). A exegese difundida e aplicada por ele está apoiada no que o judeu Fílon de Alexandria (20 a.C a 42 d.C.) concebeu como interpretação alegórica dos textos sagrados do judaísmo. "Filon era de opinião de que o texto bíblico, de um modo geral, carecia de ser interpretado historicamente (no sentido da crítica das fontes, da origem do texto e de seu contexto). Dado que as palavras tinham um sentido escondido, mas admirável e profundo, era necessário adentrar-se nessa profundeza, a fim de trazer à tona, além do sentido magnífico, todo o seu valor... É nessa mesma perspectiva de Fílon (representante da Escola Bíblica Judaica), e no ambiente das escolas exegéticas de Alexandria... que se desenvolveu a exegese de Orígenes" (SPINELLI, M. Helenização e Recriação de Sentidos. Op. cit., p.135).

BIBLIOGRAFIA

§                     Wikipédia

§                     Internet

§                     SPINELLI, Miguel. Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na época da expansão do Cristianismo, séculos II, III e IV. Porto Alegre: Edipucrs, 2002, capítulos 5 e 7 dedicados a Orígenes.

 

ATANÁSIO DE ALEXANDRIA (c.295 - 373)

 

Ele não é um universitário, mas um homem de igreja. Toda a sua existência foi consagrada ao combate da heresia ariana, que negava a divindade de Cristo. Não foi um estudioso, apenas o necessário. Os seus mestres morreram durante a perseguição. Foi a Igreja que formou Atanásio. É o seu ambiente de vida, sua pátria e família. É mais egípcio  do que grego. Fala o copta, nasceu no meio de um povo que conhece bem, e este povo sempre lhe permanecerá fiel em meio a todas as suas lutas. Os seus problemas vêm dos clérigos, controvérsias teológicas, críticas políticas, nunca de sua comunidade. Isto explica o seu rigor, e intransigência e habilidade, não recua diante de manobras ou chantagens quando se trata da ortodoxia. Acompanhou seu bispo, Alexandre ao concílio de Nicéia e continua a ser o homem de Nicéia.

O bispo de Alexandria morreu em 328, a eleição não foi fácil, pois ele era jovem, 32 anos. Durante sua existência inteira, vai prosseguir na luta por Nicéia, durante 45 anos, primeiro com o apoio do poder civil, e depois deste trair a ortodoxia, contra o mesmo poder. Cinco exílios não esgotarão a sua resistência e não abalarão de forma alguma a sua energia.

Começa fortalecendo o povo na fé de Nicéia, encontra-se com Pacômio. A luta inicia-se em 330 quando teve muito trabalho com alguns arianos, os trata sem condescendência. Não distingue o pecado do pecador. Mais tarde Constantino reabilita a Ário, por querer pacificar os espíritos. Uma carta imperial impôs a volta de Ário. Atanásio recusou-se. Por causa dos complôs que começaram contra ele, teve que fugir  para um convento do Alto-Egito.

Em 335 aproveitando uma peregrinação do imperador a Jerusalém, os adversários de Atanásio provocaram um sínodo em Tiro. O bispo de Alexandria obrigado a ir, levou 50 bispos egípcios que não puderam falar. Atanásio foi acusado de violência e ilegalidade, Atanásio fugiu. E reaparece depois em Constantinopla encontra o imperador nas ruas da capital e pede-lhe para ser ouvido. Constantino convoca os bispos que se reuniram em Tiro, mas estes acusam Atanásio de ter o controle do mercado de trigo no Egito e de ameaçar suspender o fornecimento. Constantino exilou Atanásio. Enquanto viveu Constantino viu em Atanásio uma pessoa insolente, orgulhosa, provocador de discórdias. Só depois de 337, Atanásio pode voltar à Alexandria, após a morte do imperador, mas o novo imperador era ariano e Atanásio foi deposto novamente em 339. Refugiou-se me Roma com o papa Júlio I. aproveitou para ganhar o ocidente para a ortodoxia. Só volta para a sua cidade em 348, e foi recebido triunfalmente, celebrado. Passa os 10 anos mais fecundos e belos do seu episcopado.  Ficou distante do poder imperial, reclamou com firmeza a liberdade da Igreja em face do poder. Renova o espírito de Nicéia, aprofunda a vida cristã, mantém contato com os monges, evangeliza Etiópia e Arábia. Dez anos mais tarde tem que fugir de novo e se esconder entre os anacoretas dos desertos egípcios, entre 356 – 361. Em 362-363, foi mandado novamente para o exílio. Nesta ocasião conhece a Antão, pai dos monges, de quem escreve a biografia que vai desempenhar um papel importante na conversão de Agostinho. Em 366, depois de um último exílio de 4 meses, volta a sua  cidade e fica em paz até a sua morte, em 373. 45 anos de episcopado, 17 no exílio.

Os seus escritos são basicamente de defesa da fé nicena. Chega a ser irônico, ridiculariza o adversário, chega a ser injusto. Mas também é um pastor, escreve alguns comentários das Escrituras.  Em todas as suas obras, ele é um lutador, gosta da luta, ataca com dureza, é capaz de emoção. Mas não quer comover, e sim convencer.

Foi um homem ousado e firme na defesa da fé, até mesmo diante do império que denuncia como perigoso a esta mesma fé. Mas como diz Epifânio: ele persuadia, exortava, usava força e violência. Às vezes perde o senso de medida em seus ataques. Chega a incomodar os imperadores.  Mantém-se próximo do seu povo, preocupa-se com suas ovelhas, a fé é do povo humilde, não se preocupa com os requintes intelectuais, a sua teologia é mais afirmação do que reflexão. Procura fazer com que o povo descubra e ame a ascese e a virgindade.O povo compreendeu que sua causa era justa e que dizia a verdade. Seduziu não por seu encanto, mas por usa paixão, ele convence porque inspira confiança. Atanásio defende o reino de Deus com a virilidade dos violentos. Identificou-se tanto com a causa de Deus, a ponto de sacrificar tudo e de sofrer tudo por ela.

A questão Ariana

Ário, presbítero de Alexandria, mais ou menos no ano 318, defendeu a doutrina que considerava Jesus Cristo como superior à natureza humana, porém inferior a Deus; não admitia a existência eterna de Cristo; pregava que Cristo teve princípio. O principal opositor dessa doutrina foi Atanásio, também de Alexandria. Atanásio afirmava a unidade do Filho com o Pai, a divindade de Cristo e sua existência eterna. A contenda estendeu-se a toda a igreja. Depois de Constantino haver feito tudo para solucionar a questão, sem obter êxito, convocou, então, um concílio de bispos, o qual se reuniu em Nicéia, Bitínia, no ano 325. Atanásio, que então era apenas diácono, teve direito a falar, mas não a voto. Apesar dessa circunstância, conseguiu que a maioria do concílio condenasse as doutrinas de Ário, no credo de Nicéia.

 

Contudo, Ário estava politicamente bem amparado. Suas opiniões eram sustentadas por muitos membros influentes pertencentes às classes elevadas, inclusive pelo filho e sucessor de Constantino. Por essa razão foi Atanásio cinco vezes exilado, e o mesmo número de vezes trazido do desterro. Quando um amigo de Atanásio lhe disse: "Atanásio, o mundo está contra ti", ele respondeu: "Assim seja — Atanásio contra o mundo." Os últimos sete anos, Atanásio passou-os em Alexandria, onde morreu no ano 373. Suas idéias, muito depois de sua morte, foram vitoriosas e aceitas por toda a igreja, tanto no Oriente como no Ocidente. Foram consubstanciadas no Credo de Atanásio, que durante algum tempo se acreditava haver sido escrito por ele, porém mais tarde descobriu-se que outra pessoa o escreveu.

 O PRIMEIRO CONCILIO ECUMÊNICO

 A primeira destas Assembléias reuniu-se em Nicéia, na Bitínia, para o julgamento de um tal Ário, que tinha estado a ensinar que nosso Senhor fora criado por Deus como qualquer outro ser, sujeito ao pecado e ao erro, e que, por conseqüência, não seria eterno como o Pai. Foi a isso que Constantino chamou uma ninharia, quando o informaram da heresia; o concilio porém, com poucas exceções, deu-lhe o nome de horrível blasfêmia. Os bispos sentiram tanto a indignidade que Ário fizera pesar sobre o bendito Senhor, que tapavam os ouvidos enquanto ele explicava as suas doutrinas, e declararam que, quem expunha tais ensinamentos, era digno de anátema. Como repressão às heresias crescentes foi escrito a

célebre confissão de fé, conhecida como o Credo de Nicéia, no qual está clara e inteiramente anunciada a doutrina das Escrituras Sagradas com referência à divindade do Senhor. Ário e seus adeptos receberam ao mesmo tempo sentença de desterro, e possuir ou fazer circular os seus escritos era considerado como grande ofensa.

 A conduta posterior do soberano mostrou que o seu modo de proceder naquela ocasião não obedecia a nenhuma convicção profunda nem determinada. A pedido de sua irmã Constância, cujas simpatias pelo partido ariano eram bastante fortes, ordenou que o heresiarca voltasse do exílio, e revogou a interdição dos seus escritos. Ário foi, portanto, plenamente restituído ao favor do imperador, e tratado na corte com todas as distinções.

 ATANÁSIO, BISPO DE ALEXANDRIA

Mas o triunfo de Ário não foi completo. Encontrou um adversário poderoso e infatigável em Atanásio, bispo de Alexandria, o qual já tinha derrotado durante as reuniões do concilio em Nicéia, e que apesar de ser apenas diácono naquele tempo, tomara parte notável na discussão, e desde então sempre continuara a ser acérrimo defensor da verdade e um ativo antagonista das malévolas intenções dos arianos.

Um mandato imperial de Constantino para que os hereges excomungados  fossem admitidos à igreja, foi recebido pelo bispo com um desprezo deliberado e firme: não queria submeter-se a qualquer autoridade que procurasse pôr de parte a divindade do seu Senhor e Salvador. Contudo, os seus inimigos estavam resolvidos a levar por diante os seus propósitos e aquilo que não puderam obter por bons meios tentaram alcançar por meios infames. Fizeram uma acusação horrível contra o bispo, no sentido de ter ele causado a morte de um bispo miletino chamado Arsino, de cuja mão, diziam eles, se serviu para fins de feitiçaria. Foi, por

conseqüência, intimado a responder perante um concilio em Cesaréia, pela dupla acusação de feitiçaria e assassínio: mas Atanásio recusou-se a comparecer ali por ser o tribunal composto de inimigos. Foi pois convocado outro concilio em Tiro, e a este assistiu o bispo. A mão que devia ter servido para prova do crime apareceu no tribunal, mas infelizmente para os acusadores o dono da mão, o bispo assassinado, também lá estava vivo e ileso!

DESTERRO DE ATANASIO

Ainda assim, esta farsa não impôs aos seus adversários o silêncio que a vergonha devia produzir, e apressaram-se em preparar uma nova acusação. Afirmaram que Atanásio ameaçava reprimir a exportação do trigo de Alexandria para Constantinopla, o que traria a fome para esta  cidade, pensando eles, e com razão, que bastava só atribuir-lhe este mau procedimento para levantar a inveja e desagrado do imperador, cujos maiores interesses estavam ali concentrados. Os seus planos tiveram bom êxito. Com esta simples acusação, pois a verdade dela nunca foi provada, obtiveram uma sentença de desterro, e Atanásio foi mandado para Treves, no Reno, onde se conservou dois anos e quatro meses.

MORTE DE ÁRIO

Mas o desterro do bispo fiel não assegurou os resultados pelos quais o partido de Ario estava a combater. Os Cristãos de Alexandria também tinham sido muito bem instruídos nas verdades das Escrituras Sagradas, e conservavam-nas com tal amor, que não as abandonaram depois do seu ensinador partir. Não queriam ligar-se a compromisso algum e até mesmo quando Ario subscreveu uma fé ortodoxa, o novo bispo, um velho servo de Deus chamado Alexandre, duvidou da sua sinceridade, e não quis aceitar a sua retratação. Constantino teve de intervir novamente neste caso, e mandando chamar o bispo, insistiu para que Ário fosse recebido em comunhão no dia seguinte. Muitos viram nisto uma crise nos negócios da igreja, e os cristãos de Alexandria esperavam pelo resultado com muita

ansiedade. Alexandre sentiu a sua fraqueza, e pensamentos inquietadores lhe assaltaram o espírito; entrou na igreja e apresentou o seu caso diante do Senhor. A oração era o seu último recurso, mas não foi um recurso vão nem estéril. Os arianos já exultavam, e enquanto o bispo estava de joelhos diante do altar levaram eles o seu chefe em triunfo pelas ruas. De repente cessaram as ovações. Ario entrara em uma casa particular e ninguém parecia saber para quê. Todos esperavam, e se admiravam, mas esperavam em vão; o homem, cujo regresso aguardavam, tinha-se retirado dos seus olhares para nunca mais aparecer. Teve a mesma sorte de Judas, e o grande herético estava morto. Atanásio disse mais tarde que a morte de Ário era uma refutação suficiente da sua heresia

O MONAQUISMO - O MONASTICISMO

Monasticismo (do grego monachos, uma pessoa solitária) é a prática da abdicação dos objectivos comuns dos homens em prol da prática religiosa. Várias religiões têm elementos monásticos, embora usando expressões diferentes: budismo, cristianismo,hinduísmo, e islamismo. Assim, os indivíduos que praticam o monasticismo são classificados como monges (homens) e monjas (mulheres). Ambos podem ser referidos como monásticos.

Monaquismo (do grego monos, que significa "único" ou "em paz") normalmente se refere ao modo de vida - communitarian ou solitária - aprovada por aqueles indivíduos, do sexo masculino ou feminino, que tenham eleito para exercer um ideal de perfeição ou um nível mais elevado da experiência religiosa através deixando o mundo. Ordens monásticas historicamente têm sido organizadas em torno de uma regra ou um professor, as actividades dos membros é estreitamente regulada de acordo com a regra aprovada. 

Vida de santo Antão por Atanásio http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/monaquismo/vida_de_santo_antao_indice.html

ORIGEM: Século III –  Contexto: Igreja crescia, após a conversão de Constantino, não havia mais martírios. Era preciso fugir do mundo, buscar algo digno. A lembrança de certas ênfases de Jesus sobre a pobreza, caminho estreito para a salvação etc.

Antônio; fundador do monasticismo, tem a haver com os que buscam uma vida solitária. Nasceu no Egito por volta de 250. Tocado pelas palavras de Jesus ao moço rico, por volta de 270 começou a viver uma vida ascética na sua vila natal, mas depois de 15 anos dedicou-se à uma vida solitária numa caverna. Jejuava, praticava a mais severa autonegação e orava constantemente. Cria que vencendo a carne se aproximaria mais de Deus. A sua vida exemplar inspirou a outros a morarem em cavernas como ele. Viveu até aproximadamente 356.

Simeão o estilista (386-460); viveu enterrado até ao pescoço durante vários meses, depois ficou 30 anos sobre o topo de uma coluna de 18 metros. Outros andavam nús, outros não tomavam banho. A sua grande obsessão era fugir do sexo, queimavam-se, etc.

Desenvolvimento: séc. IV-VI . Pacômio (292-346) e o Monasticismo Cenobítico; foi o organizador do monasticismo comunal. Foi soldado, converteu-se aos 12 anos. A princípio foi eremita, fundou o primeiro mosteiro cristão em 315-20 no sul do Egito. Os moradores eram um corpo, com trabalho, horas regulares de culto, vida em comum sob a direção de um abade. Ali nasceu o conceito de sociedade cristã ideal. Quando morreu, já havia 10 mosteiros que seguiam o seu exemplo.

Basilio de Cesaréia foi o grande propagador e o primeiro a criar uma regra que se caracterizava pelo equilíbrio é a base do monasticismo grego e russo até hoje.

Bento de Núrsia (Monasticismo Beneditino), foi o organizador do modelo ocidental. Nasceu em 480. Desgostoso com a maldade na cidade de Roma, exilou-se numa caverna próxima de Roma. A fama de sua santidade lhe trouxe discípulos, e lhe ofereceram a direção de um mosteiro próximo. Renunciou ali e organizou em Monte Cassino (Roma e Nápoles) provavelmente em 529, ali fez a sua Regra e morreu em 547. Ler pg. 185 Walker.

Depois que o Cristianismo se impôs e dominou em todo o império, o mundanismo penetrou na igreja e fez prevalecer seus costumes. Muitos dos que anelavam uma vida espiritual mais elevada, estavam desconten­tes com os costumes que os cercavam e afastavam-se para longe das multidões. Em grupos ou isoladamente, retiravam-se para cultivar a vida espiritual, através da meditação, oração e costumes ascéticos. Esse espírito monástico teve início no Egito, favorecido pelo clima cálido e pelas escassas necessidades de vida.

Na primitiva história cristã podem encontrar-se casos de vida solitária. Entretanto, o fundador do mo­nasticismo foi Antão, no ano 320, pois foi a sua vida de asceta que chamou a atenção, e fez com que milhares de pessoas imitassem o seu exemplo. Ele viveu sozinho durante muitos anos em uma caverna, no Egito. Era conhecido de todos e todos o admiravam pela pureza e simplicidade de seu caráter. Foi assim que muitos o imitaram e se retiraram para as cavernas do norte do Egito. Esses que assim viviam eram chamados "anaco­retas". Aqueles que formavam essa comunidade eram conhecidos por "cenobitas". Do Egito esse movimento espalhou-se pelas igrejas do Oriente, onde a vida monástica foi adotada por muitos homens e mulheres.

Uma forma peculiar de ascetismo foi adotada pelos santos das colunas. O iniciador desse sistema foi Simão, ou Simeão Estilita, um monge sírio, apelidado "da Co­luna". Ele deixou o mosteiro no ano de 423, e construiu vários pilares em fila; a construção dos primeiros pilares ou colunas foi seguida de outros mais altos, de modo que o último tinha dezoito metros de altura, e l,20m de largura. Nesses pilares ou colunas viveu Simão cerca de trinta e sete anos. Milhares de pessoas seguiram-lhe o exemplo, de modo que a Síria teve muitos santos dos pilares ou colunas, entre os séculos quinto e décimo-segundo. Contudo essa forma de vida não conseguiu discípulos na Europa.

O movimento monástico na Europa espalhou-se mais lentamente do que na Ásia e na África. A vida solitária e individual do asceta não tardou a fazer com que na Europa se fundassem mosteiros onde o trabalho estaria unido à oração. A Lei da Ordem dos Beneditinos, mediante a qual foram, de modo geral, organizados e dirigidos os mosteiros do Ocidente, foi promulgada no ano 529. O espírito monástico desenvolveu-se na Idade Média; mais tarde voltaremos a tratar do assunto e de sua ação na história.

CONCEITO DE MONAQUISMO

Ao depararmos com o temo Monaquismo, de imediato nos surge a ideia de isolamento e de alheamento do mundo. Com efeito, o Monaquismo é um sistema de vida de consagração à causa divina, que tenta chegar a Deus passando pelo recolhimento e uma vida de dedicação e interiorização. A esta palavra associa-se uma outra - monge -, que deriva do grego monos, (único, só). Etimologicamente, designa aquele que vive solitário, dedicando a sua vida ao serviço de Deus, dedicação essa assumida livremente e que pressupõe o cumprimento das normas estabelecidas numa Regra, baseando-se sempre nos conceitos de castidade, pobreza e obediência. Embora tenha assumido formas diferentes, como iremos verificar, o que é certo é que o Monaquismo tem sido uma constante na vida de várias religiões, à partida completamente díspares (ex: Monaquismo Budista versus Monaquismo Cristão), revelando-se acima de tudo como "algo universal e inerente à condição dos fiéis que pretendem desenvolver a sua vida espiritual no sentido da perfeição".

ORIGENS DO MONAQUISMO CRISTÃO

Desde os primórdios da Cristandade que os ideais livremente assumidos de virgindade e castidade em louvor do Reino de Deus foram motivo de admiração. Essa escolha era feita "por fiéis de ambos os sexos que abraçaram uma vida de plena imitação de Cristo e que, para além dos votos referidos, praticavam a oração e a mortificação paralelamente com obras de misericórdia". Como causas deste procedimento, poderemos referir a "repugnância pela imoralidade reinante" e, sobretudo para as mulheres, o fato de esse tipo de vida lhes proporcionar uma certa emancipação, tendo em conta a servidão social que o matrimônio assumia na época. É curioso realçar o fato de, na maior parte dos casos, estes votos serem feitos sem quaisquer solenidades públicas, permanecendo as pessoas no seio das suas famílias, não tendo vestuário que os distinguisse das outras pessoas.

A partir do século IV começou a ser habitual a realização de um ritual de consagração das virgens, - o velario - que costumava ter lugar nas grandes festas litúrgicas e na presença de fiéis. Este tipo de consagração a Deus foi-se generalizando cada vez mais, tornando-se quase numa moda, sobretudo nos meios aristocráticos. A ilustrar esta afirmação, poderemos citar o exemplo de Paulino de Nola e Terásia, casal da nobreza imperial romano-cristã, que "se desfizeram de patrimônios imensos e assumiram uma existência de fiéis discípulos de Cristo, segundo os ensinamentos do Evangelho". Importante se torna referir aqui a figura de São Jerônimo, que dirigiu espiritualmente os círculos ascéticos de nobres senhoras romanas, primeiro em Roma e depois na Palestina. As "virgens consagradas" terão sido, em nossa opinião, o embrião da vida monástica, uma vez que a sua praxis tinha a ver com a renúncia do mundo pelo ideal de Cristo, para além do fato de já possuírem uma forma de vida consagrada, ainda que muito incipiente.

MONAQUISMO ORIENTAL

Mas onde, e quando, terá sido a origem do fenómeno normalmente designado por Monaquismo? Ao certo, não se sabe. É comum designar-se monge aquele que segue uma Regra antiga, mas o que é certo é que, muito antes de se terem estabelecido Regras, já havia formas de vida monástica baseadas na segregação do mundo - o contemptus saeculi -, como condição prévia para a purificação interior, abrindo o caminho da contemplação divina. João Cassiano, que depois de passar muitos anos entre os monges da Palestina, Egipto e Constantinopla se estabeleceu na Provença e fundou dois mosteiros em Marselha, onde permaneceu o resto da sua vida, considerava que o Monaquismo já vinha do tempo dos Apóstolos. Outros apontam para a época de Jesus. Com a promulgação da liberdade de culto e religião decretada pelo Édito de Milão de Constantino, ser Cristão passou a não comportar os riscos de outrora, Alguns, desejando levar uma vida mais fervorosa, menos enredada nas preocupações do mundo, partiram para o deserto praticando aí uma vida de pobreza e humildade de acordo com os preceitos do Evangelho, tendo sido designados por Padres do Deserto. A maior parte vivia isolada, por vezes com alguns discípulos à volta de um mestre, só voltando a encontrar-se com a comunidade para a celebração da liturgia. Muito pouco se sabe sobre a sua vida, que apenas veio até nós através dos Apotegmas - textos que nos relatam os seus atos através das suas palavras e que nos apresentam homens submetidos à tentação que se dedicam a viver o ideal de perfeição ensinado por Jesus. Como expoente e símbolo deste tipo de vida monástica apelidada de anacoreta ou eremita, temos Santo António do Egito, também conhecido por Santo Antão, que influenciou diretamente através do seu próprio exemplo, e indiretamente através do espírito, um grande número de aderentes ao anacoretismo, o qual se revestia de duas formas: absoluto, (solidão total) e temperado (sob a direcção de um "pai" espiritual). Graças à sua ação, esta forma de Monaquismo espalhou-se pelo alto Egito, Palestina, indo até à Síria e à Mesopotâmia. Mas o anacoretismo não foi a única forma de vida consagrada existente nesta época. São Pacómio, coevo de Santo António do Egipto, trouxe ao Monaquismo novos elementos de grande importância - a vida em comum e a obediência a um superior religioso: cenobitismo. Ainda que considerada muito grosseira, a Regra de São Pacómio indicava qual a natureza dos trabalhos dos monges, dando indicações precisas sobre a alimentação, os jejuns, o sono, a oração, o silêncio, instaurando a autoridade de um superior. Os discípulos começavam agora a juntar-se, a compartilhar uma vida mais comunitária, afastando-se dos extremos dos anacoretas. Depois de São Pacómio, o Monaquismo espalhou-se pelo Ocidente, não propriamente devido à divulgação feita pelos Monges Egípcios, mas sobretudo devido às viagens que os padres do Ocidente (entre eles São Basílio de Cesárea, São Jerônimo e João Cassiano) efetuaram ao Oriente, após o que difundiram o exemplo egípcio que tanto os marcou. Importa no entanto salientar que o Monaquismo Oriental, principalmente a corrente anacoreta, assentava num cristianismo popular, "onde dominava uma mente animista que via demônios em toda a parte e que tinha tendência para exageros". Assim, havia os que viviam em cima de colunas, sendo apelidados de estilistas, outros em cima de árvores, etc,, com o objetivo de reduzir a humanidade ao estado anterior ao do pecado original. Com São Pacómio nota-se já uma certa evolução, sobretudo em termos de organização, o que aliás é provado pela grande influência que viria a exercer posteriormente. Ainda uma referência muito especial para o Cristianismo Copta que, de certa forma, foi uma consequência do Monaquismo Egípcio. Graças à sua ação, O Cristianismo penetrou amplamente nas populações de camponeses de língua copta, principalmente porque os monges eram na sua maioria gente de condição humilde. Desde os tempos de São Atanásio, eram apoiantes acérrimos dos Patriarcas de Alexandria, a quem apelidavam de chefes religiosos e nacionais. Após o Concílio de Calcedónia (451), os monges, desconhecedores das disputas teológicas, seguiram incondicionalmente os seus patriarcas e caíram na heresia monofisista, surgindo assim outra corrente Cristã desvinculada de Roma e de Constantinopla que se foi isolando cada vez mais, sobretudo desde a conquista islâmica do século VII, passando a ser conhecida por Cristianismo Copta

Um comentário:

  1. professor, eu faço história Eclesiástica na ESMI em Belo Horizonte, e contribuiu muito com minhas pesquisas.

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